quarta-feira, 20 de junho de 2012

Sou “bucheiro” com muito orgulho - por Luiz Ceará

Aqui na cidade me chamam de Ceará. Meu pai me chamava de Luiz e minha mãe me chama até hoje de Luiz Roberto.

Sou da Vila Industrial, sou “bucheiro” com muito orgulho. Morei na Pereira Lima, aquela rua lateral da pracinha onde antes era uma das entradas da Mogiana. Na esquina tinha a casa da minha avó Josefa e do meu avô João Serrano. Em frente a casa deles, do outro lado da Rua Sales de Oliveira ficava o Campinas FC de muitas glórias. Tinha ao lado da casa do meu avô a Barbearia do Bepe e depois a casa do Airton Salvanini e do Areton, artistas hoje. Airton no Teatro, Areton maestro arranjador.A mãe deles tocava acordeom. Na outra esquina tinha um campo de futebol. Subindo à direita da Sales de Oliveira havia uma enorme cruz. Era o Cruzeiro, onde eu brincava com Celso “Careca” Panzani e Fernando Urbano, meus melhores amigos de infância.

A Vila está no meu coração e desfila sempre nos meus pensamentos.
Foi lá, no quintal da casa do meu avô que eu ouvi  a Copa do Mundo de 58 no rádio. Depois que o jogo acabou meus tios Miguel de Chico mandaram para o ar um enorme balão almofada com a bandeira do Brasil.

Depois veio a Copa de 62 que eu vi na TV. E é aí que eu quero entrar. Eu já tinha 12 anos e Garrincha era meu sonho de consumo na bola. Queria ser Garrincha.

Em 70 eu tinha 20 anos e morava no Rio de Janeiro. Era musico. Fui à casa de Elza Soares pelas mãos do Maestro e parceiro Laércio de Freitas. Fui mostrar a ela uma musica minha. Solidão era o nome e o tema. Ela não acreditou que um rapaz de 20 anos pudesse fazer uma letra daquela. Gostou e gravou.

Naquele dia num determinado momento entrou na sala da casa o tal de Mané Garrincha. De chinelos, calção preto, sem camisa. O choque foi o que você já está imaginando. Mané olho e eu um olá, sorrindo. Acabou minha carreira de musico. Al,i eu, que gostava de escrever, senti que queria viver minha vida ao lado de gente como Mané. Gente do esporte. Virei jornalista esportivo.

Entrevistei Mané Garrincha anos depois já como repórter da TV Globo. Foram duas entrevistas, uma delas pouco antes da sua morte.

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