Embalados
pelo aumento da renda e do emprego, os serviços de alimentação crescem mais rápido
do que o varejo tradicional de comida (supermercados) e hoje já consomem 30% da
produção da indústria de alimentos.
No ano passado,
segundo dados da Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos), o
setor de serviços de alimentação faturou R$ 235 bilhões, crescimento de 16% em
relação a 2010.
Neste
negócio, estão restaurantes, bares, lanchonetes e até as refeições servidas
dentro de supermercados.
Neste
ano, apesar da crise que deve derrubar o crescimento da economia para 2%, o
setor deve manter expansão acima de 12%, diz a Abia.
Os
números bilionários são a parte menos visível de um negócio movido a novidades
e modismos. Na semana passada, mais de uma centena de empresários se reuniu em
São Paulo na palestra de dois consultores americanos que apresentavam uma
tendência que vem dos EUA: o "fast casual", uma espécie de evolução
do fast-food.
Depois
dos sorvetes de iogurte, cupcakes e cafés gourmet, Patrick Noone e Darren
Tristano, da Technomics, decretam que as novas tendências são as bebidas
energéticas, os chás misturados, as cervejas artesanais e os drinques retrô,
com gim e uísque.
No
conceito de restaurante, segundo os consultores, o novíssimo "fast
casual" promete enfeitiçar consumidores também no Brasil.
Nos
últimos cinco anos, este modelo de negócios cresceu 11% nos EUA, ante 1,4% do
fast food --que mudou de nome e hoje se chama "quick service".
Trata-se
de um modelo de restaurante em que os comensais têm refeição rápida e
padronizada, como no fast food, mas ambiente e serviço personalizados. Um fast
food para ficar e relaxar. "O preço baixo não é o objetivo
principal", afirma Patrick Noone, adiantando que a comida também deve ser
mais incrementada neste novo conceito.
Ele
cita como exemplo a rede americana Yard House, que mistura um menu vasto de
cervejas com rock 'n roll. Ela triplicou de tamanho nos últimos cinco anos.
Na última década, os
serviços de alimentação cresceram em média 15% ao ano no Brasil, e o varejo de produtos
alimentícios, 12%.
FORÇA DO SANDUÍCHE
O
consultor Enzo Donna, da ECB, especialista em "food service"
(serviços de alimentação), observa que, apesar dos modismos, as redes de
sanduíche ainda deverão crescer com vigor no Brasil.
Segundo
levantamento da consultoria, no ano passado, o faturamento das redes de
sanduíche cresceu 13% e, neste ano até maio, já tem expansão de 20%.
"Nos
próximos três anos, o número de lojas com esse conceito deverá crescer
75%", afirma Donna.
O
que significa que o fast food, ou o "quick service", ainda tem fôlego
no país.
"Talvez
a mudança de nome do negócio seja uma forma de desmistificar o fast food e
retirar a carga de comida não saudável", diz Donna.
Sinal de que, além da
comida, importa o conceito.
Postado por: Carlos Louredo
Fonte: Folha de São Paulo

Nenhum comentário:
Postar um comentário