quarta-feira, 11 de setembro de 2013

FESTIVAL DA COZINHA BRASILEIRA EM SAMPA

Festival da Cozinha Brasileira é realizado neste mês em São Paulo


 
DE SÃO PAULO
Por Carlos Louredo
Será realizada nesta terça-feira a abertura do Festival da Cozinha Brasileira no Empório Santa Maria. O evento segue até o dia 30.
Com cardápio assinado pelo chef José Barattino, as degustações acontecem das 15h30 às 21h até o fim do mês.
O evento pretende mostrar "a riqueza e a diversidade do país através de produtos, ingredientes nacionais", segundo a organização.
Serão expostos mais de 100 produtos e 23 marcas brasileiras.
A proposta é inspirada no "Le Brésil sur La Rive Gauche", festival criado pela famosa loja de departamentos francesa Le Bon Marché, em Paris. O evento francês apresentou diversas marcas brasileiras ao público europeu.

SERVIÇO
Empório Santa Maria
Endereço: Av Cidade Jardim, 790 (11) 3706-5211
Funcionamento: seg a sáb, das 8h às 22h; Dom e feriados, das 8h às 21h.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

OS 6 MELHORES RESTAURANTES DE SP QUE ESTÃO ENTRE OS 50 DA AMÉRICA LATINA

POR CARLOS LOUREDO

Fonte Guia Folha

OS 6 MELHORES RESTAURANTES DE SP QUE ESTÃO ENTRE OS 50 DA AMÉRICA LATINA

Na noite desta quarta-feira (4), foram anunciados os 50 melhores restaurantes da América Latina segundo a revista britânica "Restaurant" --a mesma que promove o ranking dos melhores do mundo.
  • O evento aconteceu em Lima, no Peru, país que ganhou o primeiro lugar da lista com o restaurante Astrid y Gastón, do chef Gastón Acurio. Foram nove os restaurantes brasileiros que fizeram parte da lista, sendo seis deles situados em São Paulo.
Entre o júri está Josimar Melo, crítico da Folha, além de Luiza Fecarotta (editora-assistente de "Comida" e "Turismo") e Alexandra Forbes, colunista da Folha.

Veja os paulistanos entre os melhores da AL

Gabo Morales/Folhapress
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O chef Rodrigo Oliveira ficou em 16º lugar na lista com o Mocotó
SAIBA MAIS SOBRE OS RESTAURANTES VENCEDORES:
D.O.M. - chef Alex Atala (2º lugar)
O menu à la carte funciona apenas no almoço, com pratos que refletem as pesquisas de Alex Atala sobre ingredientes nacionais, como a pupunha fresca com vieiras e molho de coral (R$ 112) e o filhote com tucupi e tapioca (R$ 163). No jantar, trabalha apenas com menu-degustação (R$ 495 o de oito etapas). Este ano, foi eleito, também pela revista "Restaurant", como o sexto melhor restaurante do mundo.
Informe-se sobre o local.
MANÍ - chefs Helena Rizzo e Daniel Redondo (5º lugar)
Eleita a melhor chef mulher da América Latina, também nesta premiação, Helena Rizzo comanda a cozinha do restaurante da zona oeste junto do catalão Daniel Redondo. A proposta é de uma gastronomia moderna, com receitas com muita técnica, que renderam à casa o 46º lugar na lista de melhores restaurantes do mundo, também pela "Restaurant". Entre as opções do menu, há o arroz de lagostim (R$ 69) e a paleta de cordeiro com tubérculos assados e farofa de castanha-do-pará (R$ 70).
Informe-se sobre o local
MOCOTÓ - chef Rodrigo Oliveira (16º lugar)
Em um lugar simples, na Vila Medeiros, o chef Rodrigo Oliveira aposta em receitas da culinária nordestina. Entre as opções, há atolado de bode, um ensopado de cabrito com mandioca, tomate-cereja, cebola em conserva e cheiro-verde (R$ 38,90, para duas pessoas). A carne de sol (R$ 36,90), queridinha do menu, é acompanhada de alho assado e chips de mandioca. As filas são quase inevitáveis.
Informe-se sobre o local
FASANO - chef Luca Gozzani (23º lugar)
Em ambiente elegante, a casa do restaurateur Rogério Fasano aposta na cozinha italiana clássica. Fica a cargo do chef Luca Gozzani (ex-Fasano al Mare), nascido na Itália, a execução de receitas como a costeleta de vitela à milanesa ladeada por salada (R$ 119). O sommelier Manoel Beato faz boas sugestões de vinho para acompanhar os pratos.
Informe-se sobre o local
ATTIMO - chef Jefferson Rueda (32º lugar)
O chef Jefferson Rueda, que fez fama no Pomodori, associou-se ao empresário Marcelo Fernandes (Clos de Tapas) para montar esta casa de estilo modernista. O menu é um híbrido de cozinha italiana e do interior de São Paulo. Depois do couvert (R$ 16) caprichado, boa opção é a pamonha com cotechino (embutido) e queijo taleggio (R$ 48). Outra boa receita é o úmido arroz carnaroli com suã, linguiça, repolho, abóbora e grão-de-bico (R$ 82). Neste ano, Rueda lançou um menu-executivo para ser servido nos almoços, durante a semana. Com entrada, prato principal e sobremesa que mudam todo o dia, o Zécutivo sai por R$ 49 e dá direito a uma água ou uma dose de cachaça.
Informe-se sobre o local
EPICE - chef Alberto Landgraf (41º lugar)
Quem comanda as panelas é Alberto Landgraf --que passou por cozinhas famosas, como a de Gordon Ramsay. Em um espaço pequeno e moderno, exibe um cardápio enxuto. É possível notar a cozinha contemporânea do chef em pratos como a paleta de leitão confitada acompanhada de lasanha de leitão, abóbora japonesa laqueada com mel e leite de amêndoas (R$ 71).

LISTA DAS 50 MELHORES CASAS DA AMÉRICA LATINA

Por Carlos Louredo

Sai hoje a lista das 50 melhores casas da América Latina


 
Fonte Folha de São Paulo
GIULIANA DE TOLEDO
GUSTAVO SIMON


A lista dos 50 melhores restaurantes da América Latina, organizada pela revista inglesa "Restaurant", será revelada hoje à noite em Lima, no Peru. A festa começa às 19h30 (21h30, horário de Brasília) no Country Club Lima Hotel.
Essa é a primeira vez que a região ganha um ranking local organizado pelo prêmio 50 Best, considerado o Oscar da gastronomia mundial.
O paulistano D.O.M. (sexto na lista global), de Alex Atala, e o peruano Astrid & Gastón (14º no mesmo ranking), de Gastón Acurio, são os principais cotados para o primeiro lugar.
O júri do prêmio é composto por 252 membros, todos da América Latina. Participam críticos, chefs e "foodies".
Para Josimar Melo, crítico da Folha e presidente do júri no Brasil, Luiza Fecarotta, editora-assistente de "Comida" e "Turismo" e membro do júri, e Alexandra Forbes, colunista da Folha, que participa do júri há cinco anos, a disputa entre o brasileiro e o peruano pelo topo da lista será acirrada.
"Pelo histórico do prêmio, com Atala em sexto e Acurio em 14º, o D.O.M. tende a ser o primeiro, mas a lógica pode não se confirmar", diz Melo.
A Folha apurou que pelo menos nove brasileiros deverão estar entre os 50 premiados. Além do D.O.M., estarão no ranking Maní (SP, 46º da lista mundial), Roberta Sudbrack (RJ, 80º colocado), Fasano (SP), Epice (SP), Attimo (SP), Mocotó (SP), Olympe (RJ) e Remanso do Bosque (PA).
Helena Rizzo, do Maní, também receberá o prêmio de melhor chef mulher da América Latina. O título, anunciado no último mês, será entregue durante a cerimônia.
Os jurados estão divididos em quatro regiões: Brasil, restante América do Sul (separada em duas sub-regiões) e México/América Central. Cada participante vota em sete casas -três de fora da sua região.
MISTURA
Mesmo depois do prêmio, as atenções continuarão voltadas para a capital peruana.
Nesta sexta-feira, começa o Mistura, a maior feira de gastronomia da América Latina. Organizado pela Sociedade Peruana de Gastronomia, o evento está em sua sexta edição.
Dos dez dias de evento, que reúne de agricultores a gourmands, de garçons a chefs, quatro são os mais relevantes: os do Encontro Gastronômico Internacional (de 6 a 9/9), no qual virtuoses das panelas debatem a gastronomia.
Entre os nomes confirmados, estão donos de casas que figuram no topo da lista mundial da "Restaurant", como René Redzepi (Noma), Massimo Bottura (Osteria Francescana), Andoni Aduriz (Mugaritz), Daniel Humm (Eleven Madison Park) e Alex Atala. Também participarão o catalão Albert Adrià, o francês Alain Ducasse e o paraense Thiago Castanho.
A cozinha peruana será representada por 350 barracas, que servirão diferentes vertentes da gastronomia local.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Últimos dias da segunda edição do Festival do Fondue No Vila Paraíso Restaurante, em Campinas

Campinas, 04 de setembro de 2013 – Para quem ainda quer aproveitar as baixas temperaturas que insistem em invadir o mês de setembro, uma boa dica é Festival do Fondue no Vila Paraíso Restaurante, em Campinas. Inicialmente previsto para terminar na última semana de agosto, a segunda edição do festival foi prorrogada até o  mês de setembro. Neste ano, os clientes encontram na casa quatro opções do tradicional prato suíço: carne, queijo, chocolate e camarão, acompanhados de bolachas e waffers. Quem optar pelos fondues de carne, queijo e chocolate pagará R$ 69,90 (preço por pessoa) para comer à vontade. Já os sabores camarão, queijo e chocolate custam R$ 79,90

O fondue tem origem suíça e é conhecida pela versão à base de queijo aquecido em um réchaud ou qualquer outra fonte de calor. A versão de carne, por exemplo, é ideal para os brasileiros. Já a de chocolate dá água na boca para qualquer tipo de paladar. Já o camarão é uma criação da casa, implantado em 2012 e que fez grande sucesso entre o público.

Vinhos
Para deixar as noites mais quentes e os fondues ainda mais atrativos, o Vila Paraíso disponibiliza uma carta de vinhos com mais de 90 rótulos de diversos países. Além disso, a casa dispõe de uma carta de cervejas artesanais, propícias para o acompanhamento do prato.

A diretora de marketing do restaurante, Fernanda Barreira, indica os vinhos com pouco tanino para acompanhar a versão queijo, que tem sabor acentuado e pode inibir a presença da bebida. Para o fondue de carne o ideal é a uva malbec. Já o de camarão tem harmonia com a uva tempranillo.

Sobre o Vila Paraíso Restaurante
Localizado na avenida principal do distrito de Joaquim Egídio, o Vila Paraíso foi inaugurado há dez. A casa possui quatro ambientes bem aconchegantes (cobertos e ao ar livre), com capacidade para acomodar 320 pessoas. Os espaços internos são equipados com lareiras e aquecedores para os dias mais frios. O playground em madeira é a atração para as crianças, que podem brincar com toda segurança, enquanto o lago nos fundos, as árvores e a presença de saguis completam o charme da paisagem do restaurante, que ainda conta com um amplo estacionamento.

As crianças também podem se divertir com as oficinas de papel machê, oferecidas pelas casa aos sábados e domingos, das 13h às 16h30. A diversão é aberta a todas as crianças que estiveram no restaurante acompanhadas dos pais e custa R$ 15,00.

O restaurante Vila Paraíso fica na Avenida Heitor Penteado, 1.716, em Joaquim Egídio. Reservas pelos telefones (19) 3298-6913. Site: http://www.restaurantevilaparaiso.com.br

Horário de funcionamento:
Quinta - Almoço das 11h às 16h/ Jantar das 19h à 0h
Sexta - Almoço das 11h às 16h /Jantar das 19h à 0h
Sábado - Almoço das 11h às 16h/ Jantar das 19h à 0h
Domingo – Almoço das 11h às 17h


domingo, 1 de setembro de 2013

RESTAURANTES CRIAM MENUS QUE CONTAM HISTORIAS

Casas criam menus que contam histórias

Por Carlos Louredo 

  
ALEXANDRA FORBES
fonte FOLHA DE SÃO PAULO

Para certos chefs de restaurantes estrelados não basta oferecer um menu-degustação gostoso: a moda manda que tenha um fio condutor e que seja inspirado nas antigas tradições de um país ou de uma região. Compõem a sequência de pratos como capítulos comestíveis de uma história.
O chef Jefferson Rueda, do Attimo (zona sul de São Paulo), deve lançar hoje o menu de nove serviços "Caminhos e Fronteiras", baseado no livro homônimo do historiador Sérgio Buarque de Holanda.
O menu resgata os sabores primitivos da alimentação dos bandeirantes e dos índios nos primórdios da colonização paulista. "Fazendo o que chamo de cozinha ítalo-caipira, percebi que, para entender minhas raízes, eu tinha que olhar para trás e pesquisar o que os primeiros paulistas comiam", diz.
O famoso chef italiano Massimo Bottura, da Osteria Francescana, em Modena, batizou seu último menu de "Venha à Itália Comigo". Leva os clientes a um passeio figurado por seu país.
Sergio Coimbra/Divulgação
Esturjão defumado do Eleven Madison Park, de Nova York
Esturjão defumado do Eleven Madison Park, de Nova York
A enguia laqueada, por exemplo, inspira-se em prato apreciado pelos nobres da família Este (patronos de Modena) séculos atrás, quando viajaram pelo rio Pó desde sua base em Ferrara, percorrendo país adentro.
Já o pluriestrelado Daniel Humm serve no Eleven Madison Park um extravagante menu cujas partes formam uma carta de amor a Nova York.
O serviço de queijos, em um cesto com uma garrafa de cerveja, faz alusão a um piquenique no Central Park.
Antigas delis de imigrantes judeus são homenageadas em um prato de fatias de esturjão que terminam de defumar à mesa, sobre carvão de macieira, servidas com uma latinha de caviar ao lado.
"Mais do que dar de comer, eu quero entreter", diz Humm ao explicar o porquê desses lances teatrais.
O novo menu do Attimo (R$ 220 por pessoa) é servido com menos espetáculo -exceto pelos momentos em que o garçom levanta um domo de vidro cheio de fumaça, revelando feijões verdes moqueados, e traz trouxinhas de cuscuz de galinha envoltas em panos, que aludem aos farnéis que os bandeirantes levavam em suas longas viagens.
Entre os melhores pratos, estão um simples caldo de codorna, vertido de um bule, e um virado à paulista (espécie de purê de feijão cozido e temperado, engrossado com mandioca) que consegue ser intensamente saboroso e delicado ao mesmo tempo.
Mauro Hollanda/Divulgação
Virado à paulista, do novo menu do Attimo, de São Paulo
Virado à paulista, do novo menu do Attimo, de São Paulo
O virado vem com um pedaço de porco muito tenro, bem pururuca, gema de ovo molinha e nacos de banana cozida.
"A pesquisa histórica que fizemos foi séria e custosa, mas quem prova o menu está lá para se divertir sem ter que pensar muito", diz.
A comida, apresentada com esmero, é infinitamente mais moderna e sofisticada do que as gororobas que davam sustento a colonizadores e índios pelas veredas do sertão paulista no século 18."Era bem limitado o leque de ingredientes", conta Rueda.
Ao forçar-se a usar esses mesmos alimentos -milho, mel, feijão, porco, carne de sol, frutas silvestres, carnes de caça- Rueda vai longe com pouco.

CAFÉ REVIGORA O CORAÇÃO

Café revigora o coração 
Por Carlos Louredo

FONTE CORREIO BRASILIENSE

Estudo da Universidade de São Paulo confirma que a bebida protege as células contra os radicais livres e torna os consumidores mais dispostos para a prática de exercícios físicos. Especialistas, no entanto, recomendam bom senso na ingestão da bebida

Vilhena Soares - Correio Brasiliense Publicação:28/08/2013 
 
A ação antioxidante do café já havia sido comprovada em outras pesquisas, mas faltava um experimento brasileiro (Banco de imagens / sxc.hu)
A ação antioxidante do café já havia sido comprovada em outras pesquisas, mas faltava um experimento brasileiro
Aquela paradinha na sala do café pode fazer muito bem ao coração. É o que indica um estudo feito na Universidade de São Paulo (USP). Movidos pela curiosidade de desvendar os segredos da bebida, os pesquisadores analisaram diferentes torragens do grão e, depois de acompanhar os voluntários durante cinco anos, confirmaram os efeitos antioxidantes da bebida e os efeitos positivos provocados no sistema cardiovascular.

Participaram do estudo 150 pessoas, que, inicialmente, ficaram 21 dias sem tomar café. Em seguida, ingeriram a bebida continuamente. Foram 450ml por dia, divididos em dois períodos de 28 dias para que houvesse mudança na intensidade da torra. À cada etapa, os voluntários tiveram indicadores de saúde avaliados, como o colesterol, a pressão arterial e a capacidade para a prática de exercícios físicos (veja arte). “As análises do plasma sanguíneo revelaram maior atividade antioxidante nos consumidores de café, seja com o café de torra média, seja o com torra escura”, explica Luiz Antônio Cézar, diretor da Unidade de Coronariopatia Crônica do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP, o Incor, e um dos responsáveis pelo estudo.

A ação antioxidante, de acordo com o especialista, já havia sido comprovada em outras pesquisas, mas faltava um experimento brasileiro nesse sentido. “O café é bebido no mundo todo. Há controvérsias sobre benefícios e malefícios, em especial da cafeína. Estudos epidemiológicos são feitos em vários lugares e cada vez em maior número, mas nenhum no Brasil”, explica Cézar, que destaca também a importância de testar os grãos em diferentes tipos de torra. “Torrando são alteradas algumas substâncias, e outras, destruídas. Queríamos saber se haveria diferenças. e houve.” Os resultados indicaram que a torra mais clara provoca um leve aumento na pressão arterial. A escura não causa alterações nesse sentido.
De acordo com Cézar, cientistas dos Estados Unidos e da Europa detectaram que a ingestão do café reduz os riscos de morte por doenças cardiovasculares, infarto e derrame cerebral, por exemplo, e do desenvolvimento do diabetes. Substâncias presentes na bebida — a estimativa é de que ela tenha mais de 400 — criaram uma espécie de proteção nas células contra essas doenças. “O benefício foi verificado a partir da ingestão de duas xícaras grandes de café, com 110ml cada uma, sendo que a melhor proteção foi atingida com quatro xícaras para mortes cardiovasculares. No caso do estudo sobre diabetes, quanto mais café se toma, melhor, com um limite de até sete xícaras por dia”, detalha o pesquisador.

Mas outro estudo também dos EUA mostra que o café em excesso pode ser prejudicial para pessoas com menos de 55 anos. A pesquisa, divulgada neste mês no jornal americano Mayo Clinic Proceedings, levou em conta dados de 40 mil pessoas e mostrou um aumento de 21% na mortalidade entre aquelas que bebiam mais de 28 xícaras por semana. Entre as que tinham mais de 55 anos, nenhum efeito negativo foi constatado.
Clique para ampliar e saber os efeitos do café na saúde cardiovascular (Valdo Virgo / CB / DA Press)
 
Clique para ampliar e saber os efeitos do café na saúde cardiovascular


A equipe multidisciplinar analisou a participação da bebida em mortes, incluindo as por doenças cardiovasculares, de homens e mulheres entre 1979 e 1998. Os participantes enviaram históricos médicos e questionários sobre hábitos alimentares e estilo de vida, o que incluía o consumo da popular bebida. No período, houve 2.512 mortes, 32% delas causadas por doenças cardiovasculares. Entre os que consumiam muito café, havia mais fumantes e pessoas com baixa resistência cardiovascular.

Moderação
Para Daniel Vasconcelos, cardiologista do Hospital Universitário da Universidade de Brasília (HUB), a pesquisa da USP trata de um tema bastante interessante, mas que é preciso distinguir o café da cafeína, ao analisar os efeitos da bebida no organismo. “Falar sobre o café e sua composição é algo bacana já que tomar café faz parte do hábito de muitos brasileiros. Porém, quando falamos do seus benefícios, devemos diferenciar ele da cafeína, que é só uma das substâncias, mas com efeitos nocivos à saúde, como o aumento do colesterol”, explica. “Há outras substâncias que podem auxiliar. Temos pesquisas, por exemplo, que comprovam uma redução do risco de diabetes em quem toma café em quantidades moderadas, o que deve ser gerada por essas outros componentes da bebida.”

Vasconcelos concorda que o efeito antioxidante do café é importante para prevenir doenças do coração. Segundo ele, várias doenças crônicas estão relacionadas ao estresse oxidativo. Falhas na “anulação” dos radicais livres provocam problemas como degeneração celular, envelhecimento precoce, entupimento das artérias e derrames. “Todas as substâncias que combatem esse estresse são benéficas. Existem também medicamentos e vitaminas que fazem esse trabalho e ajudam a manter a nossa saúde”, acrescenta.

Sidney Cunha, cardiologista do Hospital do Coração do Brasil, acredita que pesquisas que buscam alimentos e bebidas benéficas ao sistema cardiovascular são recorrentes, mas é necessário avaliar os resultados com moderação. “Já tivemos uma série de trabalhos falando dos benefícios do vinho, temos também uma questão levantada recentemente sobre o suco de uva, mas todos esses trabalhos precisam ser bem mais desenvolvidos para que tenhamos essa comprovação”, declara. “Algumas pesquisas bem interessantes também falam que o café descafeinado e o com cafeína seriam semelhantes em seus benefícios a saúde.” A próxima etapa da pesquisa da USP será avaliar os efeitos do café expresso.

LIVRO TRAZ RECEITAS DE COZINHA DE VINICIUS DE MORAES

FONTE FOLHA DE SÃO PAULO

Por Carlos Louredo

Livro traz receitas da infância e técnicas de Vinicius de Moraes na cozinha


MARÍLIA MIRAGAIA
DE SÃO PAULO


"Amai e bebei uísque. Não digo que bebais em quantidades federais, mas quatro, cinco uísques por dia nunca fizeram mal a ninguém."
Se não é novidade que as preferências etílicas de Vinicius de Moraes (1913-1980) permearam sua obra, como no trecho supracitado (do livro "Para uma Menina com uma Flor"), a atração pela boa mesa e o talento ao fogão podem surpreender até seus mais dedicados fãs.
É dessa paixão pela comida que trata "Pois Sou um Bom Cozinheiro", lançamento da Companhia das Letras que chega às lojas no próximo dia 6. O livro é parte das comemorações do centenário do nascimento do poeta, em 19 de outubro de 1913.
A obra foi idealizada pela filha de Vinicius, Luciana de Moraes (1956-2011), ao tentar reproduzir as ceias de Natal na casa dos avós paternos. Depois da morte de Luciana, Edith Gonçalves, 57, sua companheira por 23 anos, assumiu o projeto ao lado da chef e produtora gastronômica Daniela Narciso, 42.
Responsáveis pela pesquisa e organização, elas debulharam textos, poemas, letras e correspondências com a intenção de "remontar o cenário gastronômico da vida de Vinicius por meio de receitas", diz Daniela.
Buscaram histórias de filhos, amigos e parceiros, como Toquinho, Carlos Lyra e Miúcha. Peça central na pesquisa, dizem elas, foi Laetitia Cruz de Moraes Vasconcellos, 97, a tia "Leta", irmã mais nova de Vinicius. Leta é quem, até hoje, guarda registros das receitas da família, como a carne assada feita por sua avó.
Além de pratos que marcaram a infância do poeta, o livro apresenta preferências gastronômicas quando adulto e as receitas que levavam Vinicius a pilotar o fogão, como o franguinho na cerveja.
Revista Manchete/Divulgação
Vinicius de Moraes na cozinha
Vinicius de Moraes na cozinha, em foto sem data
Histórias apetitosas estão distribuídas ao longo das páginas apinhadas de receitas de "Pois Sou um Bom Cozinheiro". Um dos "causos" revela o apreço do poeta pela exploração de novas técnicas no preparo dos alimentos. De fazer inveja ao chef catalão Ferran Adrià, uma de suas descobertas, conta a cantora Miúcha, era a habilidade de descascar cenouras usando palha de aço.
O livro também conta que no restaurante Tavares, em Belo Horizonte (MG), Vinicius gostava de entrar na cozinha e dar seu toque pessoal aos pratos que pedia.
Tinha uma fórmula especial para que suas "fritas em tamanho família" ficassem sequinhas. E assim queria, mesmo que atrasasse os pedidos do restante da clientela.
EM CASA
Na infância, jura a irmã Leta, foi um menino tranquilo, que nutria verdadeira paixão pela comida servida pelos pais e avós.
Assim, pratos como a carne assada da avó Neném, o vatapá feito pelo vovô Moraes e o cozido preparado pelo pai, Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, foram reunidos no primeiro capítulo do livro, que também abriga as receitas tradicionais do Natal.
São preparos originais ou que foram recriados seguindo instruções da família. Quando fora do país, em turnês ou a trabalho, Vinicius registrava as muitas saudades da comida de casa.
Em carta de 1964, que escreveu a Tom Jobim da França, ele elenca pratos que iria encomendar para sua volta. Menciona, entre outros, "lombinho de porco, bem tostadinho" e papos de anjo.
O doce, é bom que se lembre, é apenas uma das muitas sobremesas apreciadas por Vinicius. O açúcar, entretanto, lhe foi proibido quando diagnosticado com diabetes.

A doença, porém, não o impediu de levar a cabo ataques noturnos à geladeira. Em uma das incursões, conta o livro, esqueceu os óculos no refrigerador. O objeto, assim, se transformou em prova irrefutável do delito.