Por Carlos Louredo
FONTE CORREIO BRASILIENSE
Estudo da Universidade de São Paulo confirma que a bebida protege as células contra os radicais livres e torna os consumidores mais dispostos para a prática de exercícios físicos. Especialistas, no entanto, recomendam bom senso na ingestão da bebida
Vilhena Soares - Correio Brasiliense Publicação:28/08/2013
A ação antioxidante, de acordo com o especialista, já havia sido comprovada em outras pesquisas, mas faltava um experimento brasileiro nesse sentido. “O café é bebido no mundo todo. Há controvérsias sobre benefícios e malefícios, em especial da cafeína. Estudos epidemiológicos são feitos em vários lugares e cada vez em maior número, mas nenhum no Brasil”, explica Cézar, que destaca também a importância de testar os grãos em diferentes tipos de torra. “Torrando são alteradas algumas substâncias, e outras, destruídas. Queríamos saber se haveria diferenças. e houve.” Os resultados indicaram que a torra mais clara provoca um leve aumento na pressão arterial. A escura não causa alterações nesse sentido.
Mas outro estudo também dos EUA mostra que o café em excesso pode ser prejudicial para pessoas com menos de 55 anos. A pesquisa, divulgada neste mês no jornal americano Mayo Clinic Proceedings, levou em conta dados de 40 mil pessoas e mostrou um aumento de 21% na mortalidade entre aquelas que bebiam mais de 28 xícaras por semana. Entre as que tinham mais de 55 anos, nenhum efeito negativo foi constatado.
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A equipe multidisciplinar analisou a participação da bebida em mortes, incluindo as por doenças cardiovasculares, de homens e mulheres entre 1979 e 1998. Os participantes enviaram históricos médicos e questionários sobre hábitos alimentares e estilo de vida, o que incluía o consumo da popular bebida. No período, houve 2.512 mortes, 32% delas causadas por doenças cardiovasculares. Entre os que consumiam muito café, havia mais fumantes e pessoas com baixa resistência cardiovascular.
Moderação
Para Daniel Vasconcelos, cardiologista do Hospital Universitário da Universidade de Brasília (HUB), a pesquisa da USP trata de um tema bastante interessante, mas que é preciso distinguir o café da cafeína, ao analisar os efeitos da bebida no organismo. “Falar sobre o café e sua composição é algo bacana já que tomar café faz parte do hábito de muitos brasileiros. Porém, quando falamos do seus benefícios, devemos diferenciar ele da cafeína, que é só uma das substâncias, mas com efeitos nocivos à saúde, como o aumento do colesterol”, explica. “Há outras substâncias que podem auxiliar. Temos pesquisas, por exemplo, que comprovam uma redução do risco de diabetes em quem toma café em quantidades moderadas, o que deve ser gerada por essas outros componentes da bebida.”
Vasconcelos concorda que o efeito antioxidante do café é importante para prevenir doenças do coração. Segundo ele, várias doenças crônicas estão relacionadas ao estresse oxidativo. Falhas na “anulação” dos radicais livres provocam problemas como degeneração celular, envelhecimento precoce, entupimento das artérias e derrames. “Todas as substâncias que combatem esse estresse são benéficas. Existem também medicamentos e vitaminas que fazem esse trabalho e ajudam a manter a nossa saúde”, acrescenta.
Sidney Cunha, cardiologista do Hospital do Coração do Brasil, acredita que pesquisas que buscam alimentos e bebidas benéficas ao sistema cardiovascular são recorrentes, mas é necessário avaliar os resultados com moderação. “Já tivemos uma série de trabalhos falando dos benefícios do vinho, temos também uma questão levantada recentemente sobre o suco de uva, mas todos esses trabalhos precisam ser bem mais desenvolvidos para que tenhamos essa comprovação”, declara. “Algumas pesquisas bem interessantes também falam que o café descafeinado e o com cafeína seriam semelhantes em seus benefícios a saúde.” A próxima etapa da pesquisa da USP será avaliar os efeitos do café expresso.
















