quinta-feira, 16 de agosto de 2012

CRESCIMENTO GASTRONÔMICO EM REGIÕES DO NORTE E NORDESTE

POR CARLOS LOUREDO

O tradicional arroz e feijão está sendo trocado por pratos sofisticados, ou até mesmo pelo o Fast Food, e quem ganha com isso é o setor gastronômico. Uma pesquisa realizada recentemente pela Central Mailing List, empresa especialista em fornecer banco de dados, revela que o Brasil possui 222.358 empresas no ramo alimentício.
Para todos aqueles que buscam praticidade na hora de comer fora de casa, a pesquisa da Central Mailing List revelou que só no ano de 2011 foram abertos 18.399 restaurantes no país. O dado mais interesse é que o Amapá foi o estado que mais inaugurou empresas, 130, ao todo. Já os paulistas são os que mais possuem opções gastronômicas, registrando 55.459 estabelecimentos.
As regiões Norte e Nordeste são as que mais crescem no segmento, se comparadas ao ano de 2011. O estado do Amapá foi o campeão, lá o crescimento foi de 21,35%. Em seguida, vem Pará (17,40%), Piauí (16,55%), Acre (16,19%), Paraíba (15,29%) e Roraima (15,22%). São Paulo está abaixo dos 10% na taxa de crescimento, ficando no 24º lugar (7,68%).
A baixa na pesquisa é referente a grande quantidade de restaurantes e lanchonetes que São Paulo possui, e por este motivo, fica cada vez mais difícil encontrar um ponto disponível, segundo dados da pesquisa. Um exemplo deste cenário acontece com o proprietário do restaurante japonês Wakai Sushi, Luiz Flores. Há mais de um ano, ele busca um local que não seja próximo Av. Paulista, região onde já possui a sede do restaurante, para abrir outra unidade, e expandir seu negócio. "Pelo menos duas vezes por semana saio à procura de um ponto estratégico na cidade, para abrir uma filial do restaurante, e vejo que está cada vez mais difícil encontrar bons locais, graças à escassez de pontos comerciais", relata o proprietário.
Além disso, este segmento é um dos que mais emprega no Brasil, independente da ocupação, a pesquisa também mostrou que, em média, 876.346 brasileiros trabalham no ramo da alimentação com registro em carteira. Só no estado de São Paulo, a taxa correspondente é de 27,63% funcionários atuando neste segmento. Rio de Janeiro e Minas Gerais também estão no ranking das contratações.
"Sair para comer fora não é mais um programa para o fim de semana, ou para comemorar datas especiais, a grande mudança no dia a dia da população contribui significativamente para esta mudança na rotina de cada brasileiro", revela Marcos Rodrigues, diretor da Central Mailing List.

Rompimento de Fasano

Rompimento de Fasano com chef reflete mudanças na alta gastronomia de SP
JULIO WIZIACK
DE SÃO PAULO
A saída do chef Salvatore Loi do grupo comandado por Rogério Fasano, em junho, não foi resultado de uma disputa de egos entre dois "italianos sanguíneos".
Foi o capítulo final de um processo de mudança que teve como pano de fundo uma transformação no mercado da alta gastronomia nacional.
Para Rogério, não havia saída: era mudar ou mudar. Neste novo cenário, não existia mais espaço para Loi, que comandava não apenas o Fasano paulistano - o melhor italiano da cidade, segundo o júri da revista "sãopaulo" - como também os demais restaurantes do grupo.
Rogério e Loi não quiseram comentar os detalhes do rompimento desse "casamento" de quase 13 anos.
Em uma entrevista de Loi à Folha, no final de junho, o chef afirmou ter saído devido à pressão para a redução de custos, de funcionários e do uso de produtos caros.
Também disse que houve perda de clientes e que os investimentos, como a filial do Gero, em Brasília, não deram o retorno esperado.
Rogério sempre disse ter crescido aos "trancos e barrancos". A partir de uma confeitaria aberta pelo bisavô, em 1902, ergueu um império da gastronomia que se expandiu para a hotelaria e consolidou uma das marcas de luxo mais valiosas do país.
Sem controle de gastos, o grupo enfrentou problemas financeiros no fim da década de 90. O pior ano foi 2003, quando Rogério quase foi à falência. Era outra época.
O restaurateur teve de colocar "ordem na cozinha" para se adaptar aos novos rumos do mercado e preservar a saúde financeira do grupo.
Nem só de badalação e lances criativos dos chefs vive a alta gastronomia paulistana.
O aumento da concorrência nessa elite dos restaurantes, os custos cada vez mais altos da mão de obra e a valorização do real, entre outros fatores, reduziram substancialmente as margens de lucro dessas casas.
Não bastassem essas circunstâncias, a saúde financeira do grupo Fasano era afetada pelo estilo perfeccionista de Rogério. Resultado: em 2003, ele quase foi à falência.
Não restava outra saída que não fosse aderir a uma gestão empresarial, com um controle rigoroso de custos.
A Folha passou três semanas conversando com empresários, ex-funcionários, fornecedores, amigos, entre outras pessoas que fizeram - e fazem - negócios com os Fasano. Eles só aceitaram falar sob o compromisso de que tivessem a identidade preservada.
A reportagem também buscou nos arquivos da Junta Comercial documentos sobre a situação financeira do Fasano e de alguns concorrentes.
Leia a seguir os capítulos dos últimos dez anos de história do mais tradicional símbolo da alta gastronomia de São Paulo.
Maria do Carmo/Folhapress
Rogério Fasano no restaurante nos Jardins, em São Paulo
Rogério Fasano no restaurante nos Jardins, em São Paulo

AZEDA A PARCERIA
Para ser chef geral dos restaurantes de Fasano, é quase preciso ser Rogério Fasano. A parceria começa com uma viagem para a "Itália de Rogério", onde ele apresenta seus lugares preferidos para que o chef possa apreciar ingredientes, receitas e sabores que, juntos, expressam o espírito do grupo.
Essa temporada gastronômica e cultural sempre foi uma rotina. Mas, em 2003, a situação mudou. Naquele ano, Rogério se tornou sócio de João Paulo Diniz e de Abilio Diniz, então controladores do Grupo Pão de Açúcar.
No final dos anos 1990, Rogério já tinha procurado os Diniz para lançar o Emporio Fasano. A proposta foi bem recebida. O problema é que Fasano queria uma única loja, e os Diniz pretendiam replicar o modelo. Além de explorar a marca Fasano, a ideia era criar um lugar com produtos exclusivos.
O projeto não foi adiante, mas João Paulo acabou se tornando sócio de Rogério, que, naquele momento, estava preparando o lançamento dos restaurantes Gero Caffe e Parigi, ambos em São Paulo. Ao mesmo tempo em que desembolsava uma pequena fortuna para abrir as duas casas, Rogério comprou o terreno onde seria construído o hotel, aberto em 2003.
Esses investimentos por pouco não o levaram à falência. Era cada vez mais evidente que Rogério precisaria de reforços para se reerguer.
Os Diniz viram no empreendimento hoteleiro vislumbrado por Fasano uma boa oportunidade de negócios e decidiram entrar pesado. Juntos, Abilio e João Paulo destinaram inicialmente quase R$ 15 milhões. Rogério colocou R$ 8,5 milhões.
A crescente necessidade de aportes levou os Diniz a ter quase 70% do negócio já que Rogério não conseguia acompanhar o ritmo dos investimentos. As divergências sobre controle de custos tornaram-se rotina, e os prejuízos se acumularam. Em 2003, a conta da hotelaria ficou negativa em R$ 6,2 milhões. Em 2007, em R$ 15,8 milhões, um crescimento de 155%.
Mesmo assim, nesse período, Rogério quis levar o chef e 30 funcionários à Itália em um dos mais ambiciosos programas de treinamento. A ideia desagradou ao então sócio João Paulo Diniz, e a viagem foi cancelada.
A obsessão de Rogério pela qualidade e sua dificuldade em lidar com números entrou em choque com o rigor empresarial dos Diniz. A parceria chegou ao fim, em 2007.
Editoria de Arte/Folhapress
Uma saga de 110 anos: momentos-chave da expansão do grupo Fasano, da confeitaria em São Paulo ao hotel em Salvador
Uma saga de 110 anos: momentos-chave da expansão do grupo Fasano, da confeitaria em São Paulo ao hotel em Salvador

BAIÃO DE DOIS
Rogério levou um tempo para entender que seu negócio "não era ser dono de tijolo", como costuma dizer a alguns amigos. Com o rompimento da sociedade, João Paulo Diniz ligou para José Auriemo Neto, presidente da incorporadora JHSF.
Zeco, como é conhecido, negou-se a comprar sua participação no grupo Fasano imediatamente. Mas mudou de ideia na semana seguinte, depois de analisar os balanços. Apesar dos prejuízos acumulados, Zeco percebeu que o negócio tinha grande potencial. Entre 2003 e 2006, as receitas tinham passado de R$ 6,7 milhões para R$ 29,6 milhões, e grande parte dos prejuízos era decorrente do aumento excessivo dos custos operacionais.
A JHSF topou e comprou 50,1% do negócio, aportando inicialmente R$ 24,5 milhões. Depois, a participação subiu para 53%. Rogério já conhecia Zeco, cuja incorporadora construiu empreendimentos de alto padrão, como o shopping Cidade Jardim.
Zeco implantou um novo modelo de gestão no hotel. No primeiro ano, a JHSF reduziu o prejuízo em dois terços e, em 2008, a operação obteve lucro pela primeira vez (R$ 2,7 milhões).
Rogério ficou tão contente com o resultado e a forma como Zeco apresentava as tais "planilhas de Excel" (os dados financeiros da operação) que decidiu contratar a JHSF para gerir os restaurantes.
Divulgação
Salão do Gero, em Brasília, controlado pela Gero Participações
Salão do Gero, em Brasília, controlado pela Gero Participações

AMIGOS À MESA
Outra marca curiosa na vida empresarial de Fasano são os amigos. Em muitos momentos, eles se tornaram sócios (muitos ainda são) e acabaram "dando uma força".
Foi o que aconteceu em 2004. Para centralizar os investimentos nos restaurantes, Rogério criou uma empresa - a Gero Participações - e contou com um aporte de R$ 4,4 milhões do cientista político Antônio Lavareda, que tinha se comprometido a injetar ao menos R$ 7,8 milhões.
A participação de Lavareda (correspondente a 20% do total) ajudou Rogério no investimento feito entre 2004 e 2006 nos restaurantes Gero e Fasano que, no período, exigiram R$ 10,7 milhões.
Lavareda deixou a sociedade, em 2007, porque Rogério queria retomar o controle da empresa responsável pelos restaurantes da família; já na rede hoteleira, Rogério não era o controlador.
Considerado o melhor bar do mundo pela renomada revista inglesa "Wallpaper", o Baretto (que hoje fica no hotel Fasano) já teve como sócios o publicitário Nizan Guanaes e o diretor de cinema Paulo Machline.
Na Enoteca, vendida no ano passado, esteve Ricardo Sérgio de Oliveira, diretor da área internacional do Banco do Brasil durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso. Ele também teve metade de uma importadora em sociedade com Fabrizio Fasano, pai de Rogério. O negócio foi encerrado.
No Rio de Janeiro, a parceria nos restaurantes é com Alexandre Accioly, empresário que é dono de diversos negócios como a rede de academias Bodytech, com João Paulo Diniz e o BTG Pactual, de André Esteves.
Os "amigos sócios" entenderam que, apesar da necessidade de controle das finanças, não poderiam conter demais Rogério Fasano, o coração do negócio. Em algumas vezes, tiveram de obter margens de lucro menores para abrir um novo restaurante. Nos bastidores, Rogério diz que "sai do sério" se vê uma de suas ideias implementada por outros.
É o caso da Trattoria Fasano, que custou R$ 5 milhões e está prestes a ser inaugurada em São Paulo. A estratégia, nesse caso, não era só "crescer os ativos do grupo" mas também criar uma alternativa para impedir a "fuga de profissionais".
Nos últimos anos, Rogério perdeu seus melhores "números 2" da cozinha. Com salários mensais em torno de R$ 10 mil, eram alvo de empreendedores do setor interessados em abrir um restaurante inspirado no estilo Fasano. Nos guias de restaurantes, muitos são destacados pela presença de ex-funcionários ou chefs do grupo.
Alguns funcionários, como Juscelino Pereira, deixaram o Fasano e se tornaram grandes empresários do setor. Juça, como é chamado por Rogério, é dono de 14 casas, incluindo o Piselli.
Divulgação
Bar do hotel Fasano SP, eleito entre os melhores do mundo
Bar do hotel Fasano SP, eleito entre os melhores do mundo

PANELA DE PRESSÃO
Fasano não reclama disso, mas da quantidade de restaurantes que abriram nos últimos anos (muitos fecharam as portas) e que acabaram pulverizando a clientela - resultado do aumento da renda do brasileiro, especialmente no governo Lula.
Resultado: a média de refeições servidas nos restaurantes do grupo Fasano está em 15 mil por mês, número que, em 2000, era o dobro.
Outro golpe foi o fortalecimento do real que fez o público de alto poder aquisitivo viajar com mais frequência ao exterior, onde a gastronomia estrelada não custa tanto, proporcionalmente.
Para jantar no Alinea, do chef Grant Achatz, em Chicago (EUA), paga-se US$ 322 (R$ 653), sem bebidas, por pessoa. Esse é o preço de um jantar, com vinho, para o casal, no Fasano.
O preço regula com o do restaurante do chef Alain Ducasse, em Nova York (EUA), onde o preço de um jantar gira em torno de US$ 130 (R$ 264) por pessoa, sem bebida e já contando impostos.
A diferença é que a renda per capita do americano é quase três vezes maior que a do brasileiro.
Ao mesmo tempo em que enfrentaram redução de frequência, as casas de alta gastronomia também passaram a enfrentar pressão de custos.
Os consultores do setor dizem que hoje há quem pague só em aluguel a mesma quantia equivalente aos lucros. A mão de obra é outro fator cujos custos explodiram. Some-se ainda impostos e encargos, além do encarecimento dos produtos, cuja alta seguiu o ritmo inflacionário.
Coloque a valorização do real - que chegou a ser uma das moedas mais apreciadas do mundo - e pronto. Chega-se a uma receita típica brasileira: cardápios com preços mais elevados mesmo com concorrência acirrada.
A gastronomia no país acabou por perverter um dos princípios básicos da economia, o de que concorrência derruba preços. Também trouxe outra surpresa desagradável aos restaurateurs: a necessidade de subir os preços para ganhar menos.
Na década passada, as margens de lucro atingiam 25% da receita líquida. Hoje, raramente passam de 10%, segundo especialistas e alguns proprietários ouvidos pela Folha.
O resultado é que muitos grupos foram à bancarrota e diversos, vendidos. No mês passado, o Rubaiyat foi vendido para um fundo espanhol, que passou a deter 70% de participação por, estima-se, cerca de R$ 115 milhões. O restaurante português Antiquarius também foi vendido para um grupo português.
Para sobreviver no novo cenário, não resta outra alternativa a não ser rigor na administração. A regra vale para todos, inclusive para o Fasano, que teve de encontrar formas para se adequar.
Como seu negócio é a cozinha, Rogério encontrou na parceria com a JHSF a combinação perfeita. Hoje a contabilidade está equilibrada e os restaurantes rentáveis, embora, às vezes, alguns passem por dificuldades.
Foi o que aconteceu com o Nono Ruggero Cidade Jardim. Com a recente onda de assaltos ocorridos nos shoppings de luxo da capital paulista, Zeco, da JHSF, mandou fechar a entrada que dava direto à porta do restaurante. A decisão derrubou o movimento pela metade.
ESTORRICOU
A relação entre Rogério e o chef Salvatore Loi começou a se complicar nos últimos anos. Em 2010, o restaurateur fez uma aposta: queria levar a marca para Brasília, com a abertura do Gero. Rogério mandou para lá o chef Ronny Peterson. No ano seguinte, o Gero já era o italiano preferido dos brasilienses, mas quem recebeu o prêmio da crítica foi Salvattore Loi, o chef "número 1".
Essa situação fez Rogério perceber que não havia mais lugar em seu grupo para um "chef dos chefs", que recebia um salário mensal de R$ 70 mil. Por isso, decidiu pôr fim ao posto e valorizar o chef de cada restaurante.
Além disso, Fasano reclamava que Loi não correspondia aos seus apelos. Um deles era o de que o chef passasse temporadas em restaurantes da Europa para se reciclar. Fasano - que reinventou o risoto italiano, tornando-o mais leve e ditando as regras ao mercado - busca a inovação, algo que fez de Alex Atala a sensação do momento.
Atala também teve problemas financeiros. Administra uma dívida de R$ 6 milhões decorrente da separação da sociedade com o chef Alain Poletto no Dalva e Dito.
Esses percalços não afetaram o D.O.M., seu principal restaurante, que se notabilizou pela cozinha brasileira moderna, com ingredientes bons e inusitados. Neste ano, foi escolhido pela revista inglesa "Restaurant" o quarto melhor do mundo.
Pois no momento em que o Fasano tem no D.O.M. um concorrente em constante reinvenção, como nunca houve, as diferenças entre Rogério e Loi chegam ao ápice. No final do ano passado, o restaurateur definiu que a saída do chef seria em julho.
SOBREMESA
Rogério já disse que seus sacrifícios pessoais para manter os negócios são gigantescos. Também falou que sua conta bancária é "correr atrás do mês para pagar o mês". Com 49 anos, mora em imóvel alugado, teve dois infartos e dois casamentos. Vive com pouco dinheiro no bolso, mas se sente rico.
Para ele, a pessoa pode ter um caminhão de dinheiro, mas será sempre pobre se continuar preocupada com grana.
Salvatore Loi estava enganado: a grana corre atrás de Rogério Fasano e ele nunca esteve sozinho.
Ao deixar o grupo, Loi afirmou à Folha que as pessoas tinham na cabeça que Rogério pode tudo. "Não é mais isso", disse o chef. "Quando ele estava sozinho, podia."

Turismo para competir

 

De janeiro a maio de 2012, os turistas estrangeiros deixaram no Brasil US$ 3,009 bilhões (volume 7% acima em comparação a 2011). Em contrapartida, os brasileiros gastaram US$ 9,019 bilhões em viagens internacionais, déficit equivalente ao dobro do que entrou de dólares no país.
Para 2012, o World Travel & Tourism Council (WTTC) adequou sua estimativa de crescimento global de 2,5% para os atuais 2,3%, porcentagem ainda positiva frente à crise europeia e a lenta recuperação americana.
A América Latina se destaca entre os destinos que devem receber mais visitantes, com expectativa de desempenho cerca de 5% maior se comparado a 2011. O Brasil precisa tirar proveito dessa conjuntura e oferecer um ambiente mais atrativo para o estrangeiro (além das belas paisagens, da receptividade e do clima tropical).
Conquistar a chance de realizar aqui Copa do Mundo e Jogos Olímpicos trouxe mais visibilidade ao país e, por algum tempo, é certo de que vamos colher bons frutos no setor do turismo.
Porém, para alavancar os resultados e equilibrar a balança, é essencial avançar nos temas de infraestrutura, segurança pública e qualificação profissional, aproveitar as oportunidades para realizar mais eventos de sucesso e garantir mensagens globais sobre os progressos do país.
A economia mundial encontra respaldo no turismo, razão pela qual os países mais bem estruturados e que têm no segmento um canal eficiente de criação de divisas estimulam ações pró-turismo, com políticas estratégicas e serviços que caracterizam a preocupação em especializar a mão de obra.
Outro fator que mostra robustez para interferir no saldo do turismo é o câmbio. As variações registradas em março e abril impactaram nos gastos do brasileiro e forçaram quedas de 1,11% e 7,57%, respectivamente.
Maio voltou a ter alta, a maior para o mês na série histórica. Tal circunstância revela como o dólar mais caro deixa aflita a faixa menos remunerada da população, que segura gastos, reprograma excursões e até troca um passeio no exterior por viagens domésticas, mudança de planos que favorece a economia local, pois mantém a circulação do dinheiro em território nacional.
Segundo o WTTC, do montante que o turismo brasileiro impacta no PIB, 95% é resultado dos gastos dentro do país, retificando a relevância econômica da atividade.
A Organização Mundial do Turismo (OMT) e o WTTC sensibilizaram as lideranças mundiais e reforçaram que providências como a redução da burocracia de fronteira e a facilitação de vistos já bastam, por exemplo, para originar cerca de 5 milhões de novos empregos.
E com a recuperação da economia mundial, daria ainda para contabilizar outros 122 milhões de postos de trabalho e um valor adicional de US$ 206 bilhões de gastos de turistas.
No ambiente de colaboração mundial, líderes do G-20 deram um passo importante para considerar a indústria de viagens e turismo como uma das atividades com grande capacidade de resiliência ou de geração de empregos e divisas.
Assim, operações macro e pontuais permitem incluir mais rapidamente o segmento no grupo de atividades que geram trabalho e receita, uma das alternativas para o Brasil se fortalecer diante dos desafios que já aportam por aqui.
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Jeanine Pires é Presidente do Conselho de Turismo e Negócios da Fecomercio-SP

Romarinho

Romarinho pode ser craque.Ainda não é.

Eu estava assistindo ao programa do Neto na Band e ele falou uma coisa que eu quero repetir aqui, e que é o meu pensamento neste momento. Pode mudar, tudo muda, só a corrupção no país é que não.

Bom, ele falou sobre o Romarinho. Que ele pode vir a ser craque. Pela maneira de tratar a bola na hora do gol. Chama de “meu amor”. E faz gols de letra porque é frio e tem classe. Malandro bom, que trata a mulher com carinho e ao mesmo tempo com dureza. Ela gosta. Beijos e tapinha, doçura e pequenas cenas de ciúme. Uma boa leitura nas mãos pra saber o que vem pela frente com ela. Tudo vale no amor.

É assim que Romarinho trata a bola dentro da pequena área e nas imediações. Bem perto do goleiro, pra ver a cara de bobo que ele fica na hora da “letra”. Não tem goleiro macho que não fica doído nessa hora. Ela vem do calcanhar e engana seu pegador. Escorre por entre os dedos, passa perto, mas não o suficiente pra pegar. Escapa por cima como contra o Boca. À noite, depois do jogo o bairro da Boca em Buenos Aires ficou com a noite comprida. Fazer um gol daqueles no Boca e na Bombonera teve comemoração de toda a elite de malandros argentinos. Que moleque esse Romarinho.

Tinhoso e debochado como outro que eu conheci e conheço bem. O original.

Romário nunca deu um chutão. Não precisava. Ele ordenava e ela saía de seus pés pra dentro da rede. Mandava nela, e ela, carinhosamente dizia... Tá bom meu amor, eu vou”.

Romário não chutava de fora da área, o negócio dele era no seu latifúndio. Pequena área e adjacências. Ali nunca vi igual.

Careca driblava ali, Reinaldo naquele espaço foi Rei. Esses caras é que são perigosos. Os que tratam a bola de meu amor. Ela faz o que ele quer.

Romarinho só não pode chutar de fora da área. Ela, a bola, não gosta. No caso dele, um puro malandro da pequena área, o papo com ela tem que ser mais íntimo.

Se jogar assim, como eu e meu querido craque Neto pensamos que pode, Romarinho vai ser craque. De verdade. Ele tem utensílios pra isso.

por Luiz Ceará

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A Comunicação Institucional

A Comunicação Institucional está (muito) viva
De forma simples e direta a Comunicação Institucional é aquela que comunica, propaga e divulga a empresa visando mostrar seus valores e princípios. Isso de forma clara, criativa, ampla sem se preocupar em vender produtos e ou serviços.
Dar intimidade aos seus públicos com a “marca”, seus atributos, ressaltando o seu lado “cidadão”. A Comunicação Institucional deve transitar por todos setores, departamentos da instituição de A a Z e traduzir sua “alma” para o mercado. E isso vende! Mas é necessário que saibamos produzir “valores corporativos” que nem sempre levamos muito a sério.
Já vi e convivi com muitos empresários que querem resultados imediatos e não se preocupam com sua Imagem Institucional. Lamentável! Acham que é um investimento desnecessário.
Segundo Mitsuro Yanaze, as relações da empresa que se resumiam a vínculos comerciais, à compra (fornecedor) e à venda (clientes) foram se tornando complexas, exigindo ações, atitudes e interações com inúmeros públicos que cercam a instituição. Hoje, Yanaze detalha que a empresa desempenha vários papéis, como: vendedora, compradora, pagadora e recebedora, visa com vigor o lucro, tem o seu lado social, é ativa e passiva. Orgulhosa e humilde, sua palavra é exposta dia a dia durante horas e horas por diferentes pessoas! Veja bem em que teia de aranha estamos metidos! A empresa realiza um esforço hercúleo todos os dias e o mercado é um tribunal cruel. Qualquer atitude é julgada e um deslize, até pequeno, pode ter danos gigantescos na Imagem Corporativa da empresa e um reflexo imediato em suas vendas.
Ufa! Ufa! É, a vida de uma empresa é assim mesmo!
Tem uma história interessante que se passou durante um voo dos EUA para o Brasil. O Bob, presidente da Coca Cola, e seu amigo Rick, presidente da HJ Consultin, batiam um animado papo, então o Rick disse ao Bob: “Bob vocês gastam muito com propaganda, pesquisa e eventos. Se você der um corte nisso seu lucro vai aumentar bem”. O Bob tomou um longo gole de suco e disse ao colega: “Rick você tem razão eu já pensei muito nisso, principalmente no meu primeiro ano de companhia e eu não soube o que cortar. O plano corria bem os resultados eram bons, confesso que me senti inseguro e não pensei mais nisso. O conselho tem aprovado meu trabalho durante anos e anos. Olha Rick, me faça uma visita, analise nossos relatórios, e se você puder me sugerir por onde devo começar a cortar sem risco, prometo que vou pensar com carinho!”.
Sabe meus amigos, o Rick nunca foi visitar o Bob e desafiar o mercado é jogo duro. Qual é sua opinião?

Luiz Antonio Guimarães.

sábado, 11 de agosto de 2012

Confraria na Open News

A Confraria da Gastronomia e Amigos - presente no lançamento da revista Open News deste mês no Joe & Leo's!




Fotos: João Batista

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A prata está na mão, vamos buscar o ouro.

Com o México classificado, Brasil e Coréia do Sul jogaram valendo a outra vaga para a final do futebol olímpico. E por isso vamos dividir nossos pitacos de 15 em 15 minutos. Vamos lá.

Até os 14 do primeiro tempo somente a Coréia chegou com perigo aos 11. Foi um sufoco. E aos 13 Ji sofreu com o pé alto de Juan dentro da área, tiro livre indireto que o juizão não deu. E gol quase saiu. O Brasil só se defendeu e tocou a bola. Tomou sufoco nos primeiros 15 de jogo. Os coreanos procuravam muito mais o jogo.

De 15 a 30 o Brasil melhorou. Em velocidade Leandro Damião chutou dentro da grande área. Em seguida ele mesmo dividiu com o goleiro e a bola sobrou para Alex Sandro tocar por cobertura. O Brasil levou perigo entrou no jogo. Aos 22 Alex Sandro chutou colocado o goleiro defendeu e ele, Leandro Damião chutou cruzado. Passou perto. O Brasil estava no jogo e na semifinal. Acordou. Entendeu que o jogo valia vaga na final.

Chegamos aos 30, vamos até o final. O que deu pra ver foi um musico de primeira com um instrumento desafinado. Um Brasil sem o seu melhor futebol. Insosso, sem sal nem açúcar, nem duro nem mole, sem cor. Aos 34 tudo mudou, como se houvesse mágica no futebol. Neymar roubou uma bola no meio, na pressão e tocou para Oscar que arrancou e serviu Rômulo. Ele chutou por baixo, na saída do goleiro coreano. Era 1 a 0 e a lição de casa feita com perfeição. Vamos ver no segundo tempo.

No começo do segundo tempo o centroavante Ji chutou pra cima uma boa bola. Em seguida, Sandro fez pênalti em Kim Bukyung. Lance claro, pênalti que o juizão olhou e disse... segue o jogo! Feio. A Coréia do Sul não fazia seu gol de empate, então quem não faz toma. Aos 11, cruzamento de Nymar pela esquerda e Leandro Damião faz o segundo Brasil. Já era, Coréia.

Dos 15 do segundo tempo a 30, o terceiro gol saiu aos 19 minutos. Neymar entrou bem pelo meio, tocou para Oscar que tentou devolver. A bola sobrou para Leandro Damião que chutou colocado. Foi isso até os 30 minutos de jogo.

Daí até o final o Brasil somente administrou o jogo, tocando e tocando, marcando e saindo de vez em quando num contra ataque. Valeu, estamos na final.

Em 84 e 88 o Brasil foi prata. Ela já está na mão de novo, e o México não é mole não, mas que está cheirando ouro, isso está.


Por Luiz Ceará