quinta-feira, 6 de novembro de 2014

ALERTA PARA SETOR DE FAST FOODS

McDonald's precisa fazer brasileiro voltar às lojas

Há menos brasileiros indo comer nos restaurantes do McDonald's no país, operados pela Arcos Dorados. Promoções devem se tornar mais agressivas, na tentativa de a empresa recuperar seus ganhos. Em setembro, promoções conseguiram evitar queda maior no tráfego de clientes, mas afetaram margem. A desaceleração no consumo impactou os resultados no Brasil, onde houve retração de 2,4% nas vendas de lojas com mais de um ano de operação e recuo de 4,5% no lucro operacional.

A Arcos Dorados informou que as vendas no Brasil somaram US$ 460,8 milhões de julho a setembro, expansão de 3,7% sobre mesmo período de 2013, quando houve estagnação nas vendas. Ou seja, a base de comparação é fraca. O lucro operacional no país caiu 4,5%, para US$ 40 milhões. Na América Latina, área de atuação da empresa, a queda foi maior, de 44%.

"É hora de arregaçar as mangas para tentar trazer, no tapa, o consumidor para as lojas", disse o consultor Alcides de Mattos Terra Junior.
Na América Latina, o lucro líquido atribuído a acionistas atingiu US$ 240 mil de julho a setembro, forte queda de 98,8% ante igual período de 2013. O resultado foi afetado pela redução do tráfego (incluindo Brasil), problemas na Venezuela e depreciação da moeda argentina. A receita líquida recuou 11,5%, para US$ 904 milhões.
Woods Staton, presidente da Arcos Dorados, informou ontem, no relatório de desempenho, que irá recomendar ao conselho de administração que a empresa suspenda o pagamento 

Se reforçar a tática das promoções no Brasil neste ano, a Arcos Dorados tem algumas alternativas para defender rentabilidade. Pode ampliar volume de vendas a ponto de equilibrar margem, reduzir despesas, ou reajustar preços de produtos fora das promoções.
De julho a setembro, a margem de lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) no Brasil caiu 0,6 ponto, para 12,1%, "como resultado dos recentes esforços para proteger a participação de mercado e estimular o tráfego por meio de atividades promocionais", informou a rede ontem.
"Não há muito cálculo para que uma promoção dê certo. As redes têm seus históricos, montam ofertas, colocam na rua e aguardam. O setor de alimentação é muito sensível a renda e emprego, e mesmo com esses indicadores indo bem, estamos gerando empregos com salários mais baixos. Isso afeta o mercado", disse Terra.

No resto do mundo, o McDonald's perde receita e tem seu modelo de operação - com produtos considerados pouco saudáveis - avaliado como fator determinante para os fracos resultados, segundo alguns analistas ouvidos na semana passada pelo "Financial Times". As vendas globais (que incluem EUA, Europa e Ásia) caíram 3,3% de julho a setembro e a estratégia de recuperação passa por uma maior personalização dos hambúrgueres vendidos e inclusão de produtos regionais ao cardápio.
Nos Estados Unidos, fala-se pouco em promoção e tem sido considerada a hipótese, entre especialistas, de uma migração de consumidores do McDonald's para redes de produtos orgânicos e tão baratos quanto a cadeia de fast- food americana. No Brasil, a empresa não faz menção à perda de clientes para outras cadeias, num período de menor renda disponível e de concorrência com resultados que não indicam dificuldades maiores no Brasil.

No Burger King, principal rival do McDonald's em alguns países, as vendas na América Latina e no Caribe caíram 3% em lojas abertas há mais de um ano. Foi a única região com queda no terceiro trimestre. A empresa culpa a economia no México e Porto Rico, mas deixa Brasil de fora. Além disso, as vendas totais do Burger King nas regiões latina e caribenha cresceram 8,7% de julho a setembro.


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