sexta-feira, 3 de outubro de 2014

99% das empresas já inserem a sustentabilidade em suas práticas e gestão, mostra pesquisa da Amcham

99% das empresas já inserem a sustentabilidade em suas práticas e gestão, mostra pesquisa da Amcham
 
34% dos entrevistados afirmam incorporar o tema nos processos de gestão e 26% nas estratégias do negócio
Pesquisa realizada pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio) em agosto com 105 profissionais de diversos setores, mostra que 99% das empresas já inserem a sustentabilidade em suas práticas e gestão. As questões foram respondidas durante o 2º Seminário de Sustentabilidade da Amcham, em São Paulo.

Dos participantes, 34% afirmam incorporar o tema nos processos de gestão e 26% nas estratégias do negócio. Outros 21% dizem adotar políticas e procedimentos para atender à legislação, como um custo para fazer negócios, e 18% já influenciam na mobilização para um amplo envolvimento do mercado nas questões de sustentabilidade. Apenas 1% dos entrevistados diz ainda não inserir o tema em suas práticas e responsabilidades.

“Podemos ver como o tema da sustentabilidade vem evoluindo dentro das empresas e contribuindo para o desenvolvimento delas. Se fizéssemos essa pesquisa há 10 anos, veríamos a maioria das companhias negando a sustentabilidade ou adotando práticas para atender à legislação”, diz Daniela Aiach, diretora de Sustentabilidade da Amcham.

Entre os principais benefícios citados estão o estímulo à cultura de inovação e visão de longo prazo (33%); maior eficiência na gestão e redução de riscos (32%); o senso de orgulho junto ao público interno e melhoria do clima organizacional (21%); melhoria da imagem e reputação (14%); e acesso a mercado, crédito e financiamentos (1%).

Principais desafios

Na pesquisa, 25% dos respondentes disseram que o descompromisso de executivos é o principal desafio para o avanço da sustentabilidade nas empresas. A falta de visão e comprometimento da alta liderança (conselheiros, CEO, acionistas e diretores) vêm em segundo lugar, com 14%.

Para 25%, a maior barreira é a falta de incentivos de mercado (clientes, fornecedores e consumidores), crédito e financiamentos que estimulem a gestão para a sustentabilidade. “O mercado não está fechado para a sustentabilidade, mas é preciso incentivar a capacitação dos fornecedores e stakeholders para que possam atender às novas demandas das empresas por operações mais sustentáveis”, explica Daniela.

Além disso, 17% afirmam que dificuldades com o resultado financeiro não permitem avanço com o tema. E 19% destacam também a falta de incentivos governamentais. “A sustentabilidade não é prioridade para o governo e todos os processos que envolvem o tema, como aprovação e regulamentação de produtos mais sustentáveis, são muito burocráticos”, diz.

Prêmio Eco
As inscrições para o Prêmio ECO 2014, realizado pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio) desde 1982, foram prorrogadas até 12 de setembro. Podem candidatar-se empresas de todo o país, públicas, privadas ou de economia mista, e de todos os portes.

Ao longo de três décadas, o prêmio mobilizou 2.211 companhias nacionais e multinacionais, responsáveis por inscrever 2.698 projetos. 

Fast food é o setor preferido dos interessados em franquias

Por Carlos Louredo

Fonte Revista Exame

Fast food é o setor preferido dos interessados em franquias

Pesquisa da Rizzo Franchisse revela qual é o perfil de interessados em adquirir uma franquia no Brasil

ina Jacobi/ Divulgação
Praça de alimentação do Shopping Eldorado, em São Paulo
São Paulo – O setor de fast food e alimentação é o preferido dos interessados em abrir umafranquia, de acordo com a pesquisa “Perfil do Candidato à Franquia Brasil”, realizada pela Rizzo Franchise. Esta foi a opção de 53% dos ouvidos. O estudo teve como base um banco de dados de 187 franquias e uma amostra de 2.156 interessados em serem franqueados.
Ocupando a segunda posição, o setor de vestuário é a preferência de 26% dos candidatos. A pesquisa também mostra que cerca de 80% dos candidatos não possui ponto para negócio.
Hoje, a parcela de mulheres interessadas em investir em uma franquia já representa 47%, contra 53% de homens. Em fevereiro desse ano, uma outra pesquisa mostrou que franquias com mulheres faturam 34% mais e que já representam 48% dos franqueados no Brasil. 
A faixa de 36 a 45 anos é a que tem mais pessoas que desejam abrir uma franquia, representando 33,4% dos candidatos. A maioria, 64% dos ouvidos, é casada. 
A renda mensal atual do potencial franqueado varia de 3,1 mil a 5 mil reais, quase 30% dos candidatos se encontram nessa faixa. Em relação à ocupação do candidato, 32,5% dos interessados são funcionários de uma empresa, 23,6% já são empresários, 12,43% são funcionários públicos e cerca de 13% atuam como autônomos. Estudante, desempregado, dona de casa e aposentado são as outras ocupações listadas.
Quando perguntados sobre as razões para adquirir uma franquia, 56,34% dos candidatos responderam que preferem franquias por receberem orientação técnica no negócio e um sistema sério e profissional (22,3%). Além disso, outros fatores foram: segurança (10,68%), ter uma marca já conhecida (6,22%), garantir o sucesso (1,88%), ganhar muito dinheiro (2,35%) e negócio da moda (0,23%).
A pesquisa também mostra que 41% dos candidatos tem de 81 mil a 120 mil reais de capital disponíveis para investir no negócio. Pouco mais de 13% possuem de 121 mil a 150 mil reais e cerca de 7% possuem de 151 mil a 190 mil reais para abrir uma franquia. Apenas 1,85% tem mais de 250 mil reais disponíveis para virar um franqueado.
A grande maioria, 88,49% dos candidatos, irá operar a própria franquia. Outros 7% revelam que o dia-a-dia será operado pelo cônjuge. Ter familiares no negócio é um desejo de 80%. Quanto a um sócio, 54% afirmaram que desejam um parceiro para operar a franquia.
Expectativas e receios
Experiência no mercado é o que metade dos candidatos esperam do franqueador. Outras expectativas são parceria (19,3%), transparência (12,7%), sucesso (6,5%), lucro (6,3%), segurança (2,6%), marca (1,3%) e ajuda (0,9%).
Cerca de 60% desejam também ter mais de uma franquia. Mas, os três principais receios ao operar uma franquia são falta de experiência (27,15%), falta de capital (19,7%) e falta de apoio do franqueador (11,11%). Fracassar, deixar a segurança do emprego, não se adaptar ao negocio são outros medos dos interessados.

Marca de alimentação saudável inaugura sua primeira unidade franqueada

Marca de alimentação saudável inaugura sua primeira unidade franqueada


O novo modelo de negócio foi constituído levando em consideração indicadores de mercado do Brasil e do Sudeste. Segundo levantamento feito pela consultoria Rizzo Franchise, nos primeiros meses deste ano o mercado de franquias somou um faturamento de R$ 336 bilhões. O segmento de alimentação especializada aparece em terceiro lugar na lista dos dez que mais cresceram até agora, em comparação a 2013.
Estudos apontam que os consumidores em geral estão mais atentos à saúde e, consequentemente, dão mais importância à alimentação balanceada. O estudo Brasil Food Trends 2020, por exemplo, confirma o comportamento ao indicar cinco grupos de tendências no setor de alimentação: Sensorialidade e Prazer; Saudabilidade e Bem-Estar; Conveniência e Praticidade; Confiabilidade e Qualidade; e Sustentabilidade e Ética.
Atualmente, além da unidade no centro de Campinas, o Sucão tem quatro lojas em operação instaladas em praças de alimentação de centros comerciais (shoppings Prado, Galleria, Bandeiras e Unimart), onde os clientes contam com conforto, praticidade e atendimento ágil. As unidades são monitoradas e seguem rigorosos padrões de qualidade. Os cardápios apresentam adaptações e atualizações que respondem às demandas do público, e seguem tabelas nutricionais feitas a partir da consultoria de especialistas em alimentação.
“Até pouco tempo, as praças de alimentação eram dominadas pelos fast-foods. Quando a primeira unidade em shopping foi aberta, em 2005, o Sucão era um ‘filho-único’ nesse segmento”, explica um dos sócios, Antonio Ricardo Mesquita, cujo pai é o fundador da marca. “Hoje, felizmente, a alimentação saudável é uma realidade. Temos muito orgulho do nosso pioneirismo na região de Campinas e do nosso crescimento”, completa.
Outros dois jovens empreendedores, Filipe Falcão e Henrique Soré, também integram a sociedade do Sucão Lanches e participaram de forma intensiva dos estudos de franqueamento da marca. Dessa forma elaboraram, juntamente com uma equipe técnica especializada, um projeto sólido e sustentável de baixo custo operacional e margens de contribuição acima da média do mercado de alimentação.
O portfólio de produtos para o modelo de franquia foi construído apoiado em três premissas: modelo operacional sustentável; baixo custo operacional; e sinergia entre os produtos, otimizando a cadeia de suprimentos.
Esses foram alguns dos fatores que chamaram a atenção da empresária e nutricionista Juliana Schineider, primeira franqueada do Sucão. “É uma marca consolidada na região de Campinas, que me atraiu não só pelos valores e pela qualidade dos produtos, mas também pelo modelo eficiente de negócio que tem tudo para crescer ainda mais”, explica.
Assim, a previsão é de crescimento ordenado a partir da seleção criteriosa das praças e de franqueados que contribuam para o fortalecimento da rede com atenção integral aos padrões de qualidade estabelecidos.
Agora, o Sucão Lanches busca outros parceiros que se identifiquem com os valores da marca e que sejam empreendedores, dinâmicos, persistentes e proativos. O objetivo é repetir nas unidades franqueadas o sucesso obtido nas operações próprias.
“Vamos disponibilizar o know-how adquirido nos últimos anos para franqueados interessados em investir num negócio rentável, que incentiva hábitos saudáveis e preza pelo bem-estar de seus clientes. Trata-se de uma marca tradicional sem deixar de ser inovadora”, conclui Filipe Falcão.

Sucão Lanches

O Sucão Lanches faz parte da história de Campinas. A lanchonete é um ícone da região central desde sua inauguração, em 1975, quando misturas ousadas encantavam os clientes que passavam pela movimentada Avenida Benjamin Constant. O famoso balcão já presenciou pedidos de diversas gerações de frequentadores fieis, conquistados por receitas exclusivas, como os sucos 3 em 1 e Stilk, que se mantêm até hoje no cardápio.
Trinta anos depois, era hora de crescer. De olho no potencial e na praticidade intrínseca aos centros comerciais, a segunda loja foi instalada em 2005 na praça de alimentação do Shopping Prado. Em seguida, vieram as unidades do Shopping das Bandeiras e do Galleria Shopping. Em 2014, mais uma novidade: o Sucão Lanches formata-se como franquia e abre, no Shopping Unimart, a primeira loja seguindo o novo modelo de negócio, cujo foco é intensificar a oferta de alimentos saudáveis e saborosos de maneira rápida, a um preço acessível. Para 2015, estão sendo projetas outras unidades franqueadas.
Em comum a todos os estabelecimentos, estão as misturas clássicas e inovadoras que saem dos liquidificadores pilotados com maestria pelos suqueiros para oferecer os melhores sucos naturais, combinados e funcionais, vitaminas e smoothies (combinação de frutas batidas com frozen iogurte). Sanduíches quentes e frios, saladas, omeletes e açaí (sem conservantes e sem estabilizantes) também compõem um menu fresco, colorido, saudável e extremamente saboroso.
No Sucão, a qualidade está presente em todas as etapas: desde a escolha criteriosa das frutas buscadas diretamente na Ceasa (Centrais de Abastecimento de Campinas) até a criação de misturas por meio do desenvolvimento de fórmulas únicas - sempre sob orientação nutricional que garante a extração e o uso das melhores propriedades de cada ingrediente.
Sob o comando dos jovens sócios Antonio Ricardo Mesquita, Filipe Falcão e Henrique Soré, a marca cresce a cada dia e se moderniza, sem perder de vista sua essência e filosofia, que conquistaram a confiança e o paladar dos campineiros há quase 40 anos.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

FIM OU INÍCIO DA BOEMIA DE CAMPINAS?

POR CARLOS LOUREDO

FONTE RAC


Fim do último reduto do coração boêmio, Caicó é derrubado

Um dos pontos da resistência da antiga região conhecida como Setor, terreno deve virar centro comercial

07/09/2014 - 05h00 - Atualizado em 07/09/2014 - 13h28 | Delma Medeiros
delma@rac.com.br

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Caicó, Ilustrada, resistência, antiga região, Setor, Cambuí, prédio, funcionava, Bar do Meio, . (Crédito: Cedoc/ RAC)
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Um dos últimos heróis da resistência da antiga boemia da região conhecida como Setor, no Cambuí, o prédio onde funcionava o Caicó, também recebeu sua pá de cal.
 
O grande terreno, que abrigava, nos áureos tempos do Setor, os bares Caicó, Ilustrada e Bar do Meio, está todo murado e com uma placa de "futuras obras" , da Jfonseca Construtora, que não informou o quê exatamente será construído no local.
 
Mas, comentários extra-oficiais dão conta que o local abrigará um pequeno shopping ou um prédio de salas comerciais, coisas bem distintas de seu passado boêmio.
 
Considerando o quadrilátero expandido até a esquina das ruas Coronel Quirino com Benjamin Constant, o Setor somava pelo menos 12 bares. Desses, apenas dois continuam em funcionamento, o pioneiro e emblemático City Bar e o Spaguetti, antigo Scooby.

A relembrar, a partir do Caicó e fazendo o chamado giro do Setor, tinha o Ilustrada - um banho de bar, Bar do Meio (depois Olhar 44), Candeeiro (depois Sentimento), Scooby (hoje Spaguetti), City Bar, Natural, Bacamarte, Paulistinha, Contramão, Zanzibar e Bate-Papinho, famoso pelos caldos quentes que servia madrugada adentro.
 
O Setor reunia boêmios, intelectuais, estudantes. Nada era combinado, como os bares eram muito próximos, todos se encontravam, num ou noutro. Era comum também que a galera se reunisse, fosse informada de alguma festa em república e seguisse em bando para o local. O convite era um mero detalhe.
 
Nelson Camargo Júnior, o Zincão, lembra que abriu o bar homônimo no local onde funcionava sua loja de calçados artesanais, em dezembro de 1983. "Começou como uma sorveteria, com a loja anexa. A história não deu certo, mas ficou um freezer com algumas brahmas. Quando a marca de sorvetes levou o freezer, comprei outro e enchi de cerveja. Vendia seis caixas de cerveja por dia. Era mais gostoso e mais lucrativo que a loja e fiquei só com o bar" , diz Zincão. "Era só uma sala. Na inauguração, os comes e bebes estavam prontos, mas as mesas e cadeiras ainda não tinham chegado. As mesinhas, que eram montadas no jardim, chegaram com os convidados já na casa. O caminhão parou e os próprios clientes se encarregaram de tirar e montar as mesas e cadeiras" , conta Zincão.
 
Depois de algum tempo ele se tornou sócio do Tadeu Costa no Ilustrada. "Toquei os dois bares por alguns meses, depois vendi minha parte do Zincão, que mudou o nome para Caicó." Logo depois Camilo Chagas se juntou à dupla. "Coisa de um ano depois houve uma crise de cerveja. Ficou tudo complicado. Para podermos cobrar mais tínhamos que oferecer algo mais e passamos a ter música ao vivo" , lembra.
 
Além dos grupos fixos, de quarta a domingo, Camilo teve a ideia de trazer músicos de São Paulo no início da semana e criou o projeto Segunda-feira.

Os garçons

Para o fotógrafo Adriano Rosa, que durante o período de aulas, trabalhava como garçom no Ilustrada, os shows forneceram um vasto material, que ele guarda com carinho até hoje.
 
"Mesmo quando não estava trabalhando, ia assistir aos shows e fotografava. Tudo analógico, mas estou escaneando o material. É uma viagem no tempo", comenta.
 
Além de Rosa, vários jornalistas, estudantes na época, foram garçons no Ilustrada, como Marcelo Andriotti e Marcelo Pereira, hoje, respectivamente, editor e editor executivo do Correio Popular; e Marcelo do Canto que trabalha com assessoria.
 
No Ilustrada, durante seu período de garçom, Marcelo do Canto, descobriu sua veia de cantor. Numa brincadeira da faculdade, criou o cantor brega Mário Lúcio.
 
A princípio seria uma apresentação, mas o sucesso foi tanto que ele seguiu fazendo shows com Mário Lúcio e Los Lúcios. E os que não trabalhavam, também "batiam ponto" no Setor.
 
Em plena ditadura militar
 
"Posso dizer que o Setor me forjou - para o bem ou para o mal. Desde os tempos de militância de esquerda, quando muitas das reuniões do movimento estudantil tinham a ousadia de rolar em mesas de botecos, sob os focinhos da repressão - foi no City Bar que nasceu a Associação dos Secundaristas de Campinas (ASC), que viria a ser a semente para o renascimento da União Campineira dos Estudantes Secundaristas (Uces)" , lembra o jornalista Carlos Lemes Pereira, o Carlãozinho.
 
"Mas também tinha o lado melancólico, pela inevitável efemeridade que impera no mundo boêmio. Tive namoros e até casamentos que começaram, chafurdaram e acabaram melancolicamente no Setor", diz Carlãozinho.
 
"Eu costumava brincar que a água com que lavavam nossos tênis na triste hora da saideira, levava também para os bueiros nossas ilusões e egos."

O empresário Roberto Caruso também lembra com carinho daqueles tempos. "Sempre morei no Cambuí e vinha direto ao Setor, frequentava todos os bares. Hoje, o Cambuí continua "o bairro" quando se pensa em barzinhos, mas mudou muito, está tudo espalhado. A lei seca também colaborou para reduzir o movimento nos bares. Sinto saudades daquela época", afirma.

Carlãozinho lembra que haviam brigas no Setor, mas a violência não era tão parte do cenário como hoje. "O mais sério que me lembro é de um garçom do Paulistinha que matou a tiro um morador de rua, o que decretou o fim do boteco. E talvez do Setor Inteiro." 
 
Giro no Setor
 
O giro do Setor em geral começava no City Bar, passava pelo Natural, Paulistinha, Caicó, Ilustrada, Candeeiro e por ai afora. Terminava no Bate-Papinho, com um caldo quente, ou com os garçons do City lavando os pés dos frequentadores mais insistentes. No City, as saideiras eram sempre tomadas do lado de fora, enquanto os funcionários empilhavam as cadeiras para a lavagem do bar.
 
Região dos bares
 
Pelas proximidades do Setor, outros bares foram marcantes na época, como Armazém, na Moraes Salles; Adega dos Arcos e Depois Água Furtada; na Júlio de Mesquita; Metrópolis, na Ferreira Penteado; Luz Del Fuego, na Rua São Pedro; e Café de La Recoleta, na sala Carlos Gomes do Centro de Convivência Cultural.
 
Devido à proximidade do teatro do Centro de Convivência Cultural e aos tipos excêntricos que frequentavam o pedaço, a região dos bares começou a ser chamada de Broadway. Inconformado com a "colonização", o publicitário Darius Augustus Corbett, o Guto Corbett, passou a chamá-la de Setor. Entre suas várias atividades, Guto fornecia jogos americanos de papel para bares e restaurantes do Cambuí e aproveitou a produção para divulgar a ideia. A brasilidade venceu. Poucos lembram da Broadway, mas quem viveu o período jamais se esquece do Setor.
 
Nomes de peso no Setor
 
A ideia surgiu meio na brincadeira. Camilo Chagas foi a São Paulo assistir um show do Arrigo Barnabé, no auge da chamada Vanguarda Paulistana. Depois da apresentação foi falar com ele e comentou que pensava em convidar músicos paulistanos para apresentações em Campinas no começo da semana.
 
Arrigo gostou da ideia e já marcaram o primeiro show. Ele também passou contatos de outros músicos da Vanguarda e o Projeto Segunda-feira se tornou um sucesso.
 
Se apresentaram no projeto nomes como Cida Moreira, Vânia Bastos, Paçoca, Tom Zé, Fortuna, Walter Franco, Jards Macalé, Capenga, Celso Adolfo, Paulinho Nogueira, Vital Farias; além dos sambistas Aniceto do Império, Nelson Sargento, Geraldo Filme e Boca Nervosa.
 
Da prata da terra, passaram por lá os grupos Soma, Bons Tempos, Coral Latex, Pezão, Ding Dong, Raul de Barros, Montone, Sergio Carraca, Zeza Amaral, Doc Miranda, Kastora, Ricardo Matsuda, Isa Taube, Chiquinho do Pandeiro, Tatiana Rocha, Carô, Marcílio Menezes, Bruno Assunção, Alex Guidice e muitos outros.
 
Os grupos que se apresentavam com regularidade renderam dois LPs do bar: o Ilustrada volume 1, de MPB, com músicas autorais; e o volume 2, da fase roqueira do bar.
 
"Foi uma época de ouro da boemia campineira. Hoje não tem mais essa aura boêmia. A música popular perdeu muito com o fim desses bares", lamenta Camilo Chagas. O Ilustrada se manteve na ativa até 1995. "Fechei porque o dono do prédio pediu o imóvel."
 
Tomá na Banda
 
A Tomá na Banda, a pioneira das bandas modernas, já não tão nova assim - completa 30 anos de desfile em 2015 - saiu pela primeira vez meio no susto.
 
"A inspiração foi a Banda de Ipanema, no Rio. O Carnaval de Campinas sempre foi muito irregular e ficamos pensando em como melhorar a coisa. Ai surgiu a ideia de criar a banda. Dez anos depois, surgiu a City Banda, as duas que ainda permanecem", lembra Camilo Chagas.
 
O fotógrafo Carlos Bassan, que já era profissional da imprensa e frequentador assíduo do Setor, também registrou imagens que hoje evocam saudade. Das muitas histórias que têm para contar, Bassan lembra de quando "raptou", a rainha da Tomá na Banda.
 
"Acho que foi no segundo ano do desfile. Eu sequestrei a Rainha da Tomá na Banda. O Camilo ficou louco da vida comigo. Levei a rainha de volta com uma hora de atraso. E o bloco pode sair com uma mulata de cair o queixo. Mas o que fiz com ela durante o sequestro não conto para ninguém", provoca. Já Carlãozinho entrega que foi um "rapto" até inocente. Ela ficou tomando cerveja com eles no City Bar e perdeu a hora do desfile, até ser "resgatada" pelo pessoal do bloco.
 

SEGREDOS DE ALGUMAS FRANQUIAS

Por Carlos Louredo

Fonte Revista Exame

Os segredos do maior franqueado da Pizza Hut no Brasil

Jorge Aguirre administra mais de 30 franquias da Pizza Hut em São Paulo e faz parte do conselho mundial da marca


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Quase metade das inaugurações de shoppings é adiada

Quase metade das inaugurações de shoppings é adiada

Desaceleração do nível de consumo dos brasileiros, atrasos de obras e falta de mão de obra são motivos apontados. Setor diz que não há crise


Mario Proenca/Bloomberg
Shopping operado pela Sonae em Portugal
Shopping center: empresários mais cautelosos frente a uma economia mais fraca
São Paulo - O baixo crescimento da economia brasileira, com inflação alta e crédito mais caro, impactou os níveis de consumo da população e aumentou o clima de cautela entre empresários do segmento de shopping centers.

Diante desse cenário, quase metade das inaugurações previstas para este ano acabou postergada.

A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) anunciou em janeiro a expectativa de abertura de 43 empreendimentos no ano, mas diminuiu a projeção para 24, o equivalente a apenas 56% do total.
Dentre as 43 unidades previstas, nove já estão em funcionamento, 15 planejam erguer as portas até dezembro e 19 ficaram para 2015 ou 2016. Não houve cancelamentos.
O volume de projetos postergados neste ano é proporcionalmente maior que no ano passado. Em 2013, a Abrasce previa 46 inaugurações, das quais 38 ocorreram de fato, ou 83% do total. Vale lembrar que 2013 teve o número recorde e empreendimentos inaugurados.
Para o presidente da Abrasce, Luiz Fernando Veiga, os adiamentos são comuns e não há crise no setor. "Muitas vezes, ocorrem atrasos nas obras ou na obtenção de licença. E também falta mão de obra de boa qualidade", explicou.
Veiga também negou falta de lojistas para ocupar todos os espaços disponíveis nos shopping centers.
Segundo ele, a escassez de lojistas foi vista apenas em poucas cidades onde há mais de um shopping sendo desenvolvido, gerando uma oferta de espaços maior do que a demanda de comerciantes. "Isso é pontual. A vacância no setor está abaixo de 3%", argumentou.
O presidente da associação acrescentou que as vendas dos shoppings já se recuperaram após o período de Copa do Mundo, quando houve uma debandada de consumidores.
Além disso, a previsão de alta no faturamento do setor em 2014 está mantida em torno de 8,0%, assim como o anunciado pela associação no começo do ano.
Varejo e concorrência
Na avaliação de André Accetturi, gerente de Capital Markets da consultoria imobiliária Cushman & Wakefield, o setor não está em crise, mas os empresários e investidores têm pensando mais antes de apostar em novos empreendimentos.
"O adiamento de projetos é algo natural no setor. O cenário é de cautela, mas não está ruim no todo", afirmou.
Accetturi avaliou também que há uma ruptura entre o ritmo de expansão das operadoras de shopping centers e do varejo. "O fôlego de crescimento do varejo é menor", disse.
Ele lembrou que os empreendedores de pequeno e médio porte sofrem com a falta de linhas bancárias e são mais suscetíveis à piora do quadro econômico nacional e à queda na demanda de consumidores.
Esses fatores têm impacto direto nos planos de expansão no número de lojas, ao contrário das grandes redes varejistas, com maior capacidade de alavancagem.
Apesar dessa limitação, ele disse não acreditar que as operadoras de shopping centers já estejam sofrendo com a falta de inquilinos.
"Os bons empreendimentos continuam tendo muita procura. Até porque muitas marcas internacionais têm chegado ao mercado brasileiro", comentou.
Já na opinião de Edoardo Dalla Fina, gerente de avaliação e consultoria da Colliers, há, sim, escassez de pequenos e médios varejistas.
"Os donos de shoppings têm dificuldade de colocar lojistas, o que é muito influenciado pela queda no consumo e pelas dificuldades dos pequenos lojistas realizarem um investimento", afirmou.
Dalla Fina acrescentou que o menor número de inaugurações de shoppings neste ano reflete a maior demora dos empreendimentos novos para atingirem seus níveis ótimos de ocupação e vendas.
"Antes isso levava de três a cinco anos. Agora temos visto essa curva mudar para cinco a sete anos", disse.
O motivo, segundo ele, é o aumento da concorrência entre os shoppings. Até algum tempo atrás, muitos desses empreendimentos reinavam sozinhos nas suas cidades, bairros ou regiões, mas de uns anos pra cá passaram a dividir consumidores com novas unidades.
A tendência para o médio prazo, na opinião do consultor da Colliers, é que as operadoras prefiram expandir os shoppings que já estão em funcionamento e têm mostrado bons resultados em vez de apostar em erguer novos projetos a partir do zero.
Em um ambiente econômico mais desafiador, a preferência deverá ser pela diminuição dos riscos.
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